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O Pajubá Ilustrado chegou!

Inhaííí! Esse é o primeiro post do Pajubá Ilustrado!

Esse dicionário ilustrado online vai apresentar verbetes desse dialeto LGBT brasileiro (mas de origem em línguas africanas como o iorubá) tão rico! Como toda língua, o Pajubá também está em constante mudança, por isso vamos explorar desde as palavras mais tradicionais até as mais atuais. Esse é um projeto coletivo. Uma mesma palavra pode ter significado variado de acordo com a região e diferentes regiões podem apresentar diferentes palavras com o mesmo significado. Por isso, também queremos ilustrar gírias LGBTs regionais que podem não pertencer ao Pajubá e pra que isso aconteça precisamos da sua ajuda! Existe alguma gíria LGBT da sua região que você não escuta em nenhum outro lugar? Manda pra gente por mensagem ou por email: tortadeclimaohq@gmail.com
Também precisamos de ajuda de pessoas que entendem de escrita fonética pra dar uma ajuda com verbetes futuros pra que as escritas estejam sempre corretas! Marque aquela sua amiga ou amigo que entende disso nessa mensagem ou se você é essa pessoa e quer ajudar, entre em contato!
Quer sugerir palavras que ainda não foram ilustradas? Deixe nos comentários ou mande por mensagem, de preferência com uma sugestão de descrição!

Precisamos preservar a cultura LGBT brasileira, principalmente em tempos mais espinhosos como os atuais. Somos fortes e sempre, além de resistir, criamos coisas maravilhosas graças à diversidade que nos constitui como comunidade. O Pajubá Ilustrado quer ajudar a manter viva e pulsante, de forma ilustrada, essa parte da comunidade LGBT: a forma como nos comunicamos.

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Heteronormatividade, cultura, preconceito e mudança

Estou criando minhas tirinhas no café onde vou quase todas as manhãs. Uma mulher se aproxima e pergunta se pode pegar a cadeira extra da minha mesa pra levar para a dela. Prontamente, digo que sim. Depois de um tempo ela está indo embora, volta com a cadeira, me agradece e diz “estou trazendo de volta caso alguma menina bonita queira sentar do seu lado”. Eu sorrio e digo “na verdade um garoto seria bom”. Ela fica sem jeito, pede desculpas e diz que não deveria deduzir esse tipo de coisa. Eu falo que tudo bem e nós temos esse momento constrangedor de 5 segundos. Ninguém se ofendeu, ela tinha a melhor das intenções. Ela vai embora e eu volto ao meu trabalho.

O que aconteceu naquele momento é chamado de heteronormatividade. É a suposição de que a norma para a sexualidade das pessoas é heterossexual. Talvez isso aconteça porque estatisticamente a maioria das pessoas é heterossexual, mas há também um elemento de preconceito envolvido porque ser homossexual ainda é percebido como fora do padrão.

A heteronormatividade acontece em situações, níveis e de maneiras diferentes e, comumente, acha-se que ela é inofensiva. Em nossa sociedade, muitas vezes nossa sexualidade (e sua heterossexualidade compulsória) é decidida para nós antes mesmo de começarmos a desenvolvê-la. Isso acontece quando você diz que seu filho de 4 anos vai namorar ou casar com a filha do vizinho. Você faria tal suposição se o vizinho também tivesse um menino? Normas em nossa sociedade são comuns, mas isso não significa que não devamos tentar parar de reproduzir algumas delas.

Diferentes normas relacionadas a gênero e à sexualidade também se interlaçam. Da mesma forma, supõe-se que homens tradicionalmente masculinos não são gays, que mulheres que não se comportam de uma maneira tradicionalmente feminina são lésbicas ou que todas as mulheres sonham em casar, engravidar e ter filhos.

Todos esses pressupostos baseados em normas fazem parte de nossa cultura, sim. Todos nós pressupomos essas coisas em escalas diferentes porque nós crescemos com essa cultura. É um comportamento aprendido socialmente. Quando pressupomos baseados em uma norma, nem sempre se é intencionalmente preconceituoso, lgbtfóbico, machista e racista (certamente há exceções, mas eu não estou falando desse tipo de pessoa) e é aqui que a mudança tem que acontecer.

Não gostamos de admitir que temos comportamento preconceituoso ou privilégios e muitas vezes ficamos na defensiva quando somos informados disso. É importante não levar pro lado pessoal quando sua atenção é chamada, especialmente se você já se considera uma pessoa esclarecida e progressista. Você não precisa bater em um homossexual para ter comportamento homofóbico, assim como não precisa estuprar uma mulher para ser considerado machista ou querer a volta da escravidão para ser considerado racista. Esses preconceitos acontecem também de forma sutil, não apenas em seus extremos e é preciso tentar percebê-los.

Se você é um homem, as chances de ter comportamento machista são muito altas, mesmo se você for pró-feminismo. O mesmo vale para a sexualidade e raça. É a nossa cultura. Mas o que muitos não estão dispostos a aceitar é que a cultura é fluida e sempre foi. A cultura não constrói pessoas, as pessoas constroem a cultura (como disse de forma certeira Chimamanda Ngozi Adichie).

Mudar o comportamento nestas pequenas coisas exige esforço e é muito fácil ficar com raiva se você está do lado mais fraco, fora da norma. Canalizar a raiva é difícil, especialmente por conta daqueles que são intencionalmente preconceituosos, mas a empatia tem que vir de ambos os lados, porque algumas pessoas realmente não o fazem por mal. Se eles estiverem abertos o suficiente para te ouvir e refletir, vale a pena apontar um mau comportamento usando a sua empatia. Se você está num patamar de desconstrução que te permite perceber os preconceitos presentes na cultura, lembre-se de quando você ainda replicava certas suposições e preconceitos. Tendo em mente a cultura na qual a pessoa está inserida e tendo um sorriso em seu rosto, lembre-se que todos nós estamos inseridos nela de alguma forma.

A mudança acontece depois disso.

 

 

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Parceria – Literatura e Diversidade sexual

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O Torta de Climão estará presente no Projeto Literatura e Diversidade Sexual, de Roberto Muniz Dias, selecionado pela Bolsa de Fomento à Literatura da Fundação Biblioteca Nacional e Ministério da Cultura. O projeto consiste em, dentre atividades como discussão de temas relacionados à diversidade sexual, gênero, bullying por meio da literatura LGBT; oficinas literárias para construção de histórias homoafetivas e passará por Belém, Manaus, Fortaleza, Teresina, Brasília e Goiânia!
O Torta de Climão estará presente nas cartilhas educacionais com 3 tirinhas do nosso acervo e uma tirinha inédita que trata do tema machismo. Conheçam o projeto e saibam mais!
Se você está interessado em uma parceria com o Torta de Climão, entre em contato comigo! Deixe um comentário aqui ou mande um email para tortadeclimaohq@gmail.com !

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O livro do Torta de Climão já está em PRÉ-VENDA!

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Leitores e leitoras do Torta, o primeiro livro do Torta de Climão vai ser lançado semana que vem, dia 4/nov na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi em São Paulo (saiba mais do evento aqui), mas o livro já está em pré-venda no site da Saraiva e da Livraria Cultura! Garanta o seu nos links abaixo:

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