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Obrigado, Índio.

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Gostaria muito que meu último desenho do ano não fosse por um motivo tão triste. Mais uma pessoa se torna estatística do preconceito contra transexuais e LGBTs em geral. Luis Carlos Ruas pediu calma e protestou contra a perseguição que dois homens faziam contra uma travesti em uma estação de metrô em São Paulo. Por isso, mesmo não sendo parte da comunidade LGBT, teve a vida tirada a chutes e socos. A intolerância, homolesbobitransfobia nesse caso, não faz só vítimas gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais. Alguém se lembra do pai que teve a orelha cortada por ser confundido com homossexual por estar abraçando o filho? Ou do homem heterossexual que foi espancado por usar camisa rosa? O preconceito contra minorias sexuais/afetivas atinge TODOS e TODAS, por isso é importante não calar-se por medo ao ver algum ato de violência. Combater a homolesbobitransfobia é um dever de toda a sociedade.
A conivência e a omissão agrava qualquer tipo de preconceito. Obrigado, Luis Carlos Ruas, por ser um ser humano digno como todos deveriam ser.

Use a imagem abaixo no seu perfil das redes sociais em apoio à família e agradecimento a Luis Carlos Ruas. Clique na imagem para abrir e salvar em tamanho maior.

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Heteronormatividade, cultura, preconceito e mudança

Estou criando minhas tirinhas no café onde vou quase todas as manhãs. Uma mulher se aproxima e pergunta se pode pegar a cadeira extra da minha mesa pra levar para a dela. Prontamente, digo que sim. Depois de um tempo ela está indo embora, volta com a cadeira, me agradece e diz “estou trazendo de volta caso alguma menina bonita queira sentar do seu lado”. Eu sorrio e digo “na verdade um garoto seria bom”. Ela fica sem jeito, pede desculpas e diz que não deveria deduzir esse tipo de coisa. Eu falo que tudo bem e nós temos esse momento constrangedor de 5 segundos. Ninguém se ofendeu, ela tinha a melhor das intenções. Ela vai embora e eu volto ao meu trabalho.

O que aconteceu naquele momento é chamado de heteronormatividade. É a suposição de que a norma para a sexualidade das pessoas é heterossexual. Talvez isso aconteça porque estatisticamente a maioria das pessoas é heterossexual, mas há também um elemento de preconceito envolvido porque ser homossexual ainda é percebido como fora do padrão.

A heteronormatividade acontece em situações, níveis e de maneiras diferentes e, comumente, acha-se que ela é inofensiva. Em nossa sociedade, muitas vezes nossa sexualidade (e sua heterossexualidade compulsória) é decidida para nós antes mesmo de começarmos a desenvolvê-la. Isso acontece quando você diz que seu filho de 4 anos vai namorar ou casar com a filha do vizinho. Você faria tal suposição se o vizinho também tivesse um menino? Normas em nossa sociedade são comuns, mas isso não significa que não devamos tentar parar de reproduzir algumas delas.

Diferentes normas relacionadas a gênero e à sexualidade também se interlaçam. Da mesma forma, supõe-se que homens tradicionalmente masculinos não são gays, que mulheres que não se comportam de uma maneira tradicionalmente feminina são lésbicas ou que todas as mulheres sonham em casar, engravidar e ter filhos.

Todos esses pressupostos baseados em normas fazem parte de nossa cultura, sim. Todos nós pressupomos essas coisas em escalas diferentes porque nós crescemos com essa cultura. É um comportamento aprendido socialmente. Quando pressupomos baseados em uma norma, nem sempre se é intencionalmente preconceituoso, lgbtfóbico, machista e racista (certamente há exceções, mas eu não estou falando desse tipo de pessoa) e é aqui que a mudança tem que acontecer.

Não gostamos de admitir que temos comportamento preconceituoso ou privilégios e muitas vezes ficamos na defensiva quando somos informados disso. É importante não levar pro lado pessoal quando sua atenção é chamada, especialmente se você já se considera uma pessoa esclarecida e progressista. Você não precisa bater em um homossexual para ter comportamento homofóbico, assim como não precisa estuprar uma mulher para ser considerado machista ou querer a volta da escravidão para ser considerado racista. Esses preconceitos acontecem também de forma sutil, não apenas em seus extremos e é preciso tentar percebê-los.

Se você é um homem, as chances de ter comportamento machista são muito altas, mesmo se você for pró-feminismo. O mesmo vale para a sexualidade e raça. É a nossa cultura. Mas o que muitos não estão dispostos a aceitar é que a cultura é fluida e sempre foi. A cultura não constrói pessoas, as pessoas constroem a cultura (como disse de forma certeira Chimamanda Ngozi Adichie).

Mudar o comportamento nestas pequenas coisas exige esforço e é muito fácil ficar com raiva se você está do lado mais fraco, fora da norma. Canalizar a raiva é difícil, especialmente por conta daqueles que são intencionalmente preconceituosos, mas a empatia tem que vir de ambos os lados, porque algumas pessoas realmente não o fazem por mal. Se eles estiverem abertos o suficiente para te ouvir e refletir, vale a pena apontar um mau comportamento usando a sua empatia. Se você está num patamar de desconstrução que te permite perceber os preconceitos presentes na cultura, lembre-se de quando você ainda replicava certas suposições e preconceitos. Tendo em mente a cultura na qual a pessoa está inserida e tendo um sorriso em seu rosto, lembre-se que todos nós estamos inseridos nela de alguma forma.

A mudança acontece depois disso.

 

 

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PEPSI e o mundo chato

A Pepsi lançou na semana passada o seu novo comercial, com a volta dos limoezinhos das propagandas de alguns anos atrás da marca. O tema foi como o mundo tá chato e ninguém pode falar mais nada que todo mundo se ofende. O vídeo está no youtube caso queira assistir.

É muito chato mesmo ter que pensar antes de falar, Pepsi, mas a questão não é ter que pensar se alguém vai se ofender com o que você fala, mas pensar se você vai ofender alguém quando falar. O mundo não ficou chato ou mais sensível, mas quem antes ficava calado aprendeu que só se consegue mudar o mundo exigindo respeito. A ofensa sempre esteve lá.
Trabalhar a empatia não é fácil, pois exige um esforço que pouca gente é ensinada: pensar no próximo. Mas a gente promete que vale a pena.

Kris Barz